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quarta-feira, maio 18, 2016

Conhecendo e interagindo com as obras de Jorge Amado


COLÉGIO MODELO LUIS EDUARDO MAGALHÃES
MONITORA: MARIENE DE OLIVEIRA MACEDO
DISCIPLINA: LÍNGUA PORTUGUESA



Com o povo aprendi tudo quanto sei, dele me alimentei e, se meus são os defeitos da obra realizada, do povo são as qualidades porventura nela existentes. Porque, se uma virtude possui, foi a de me acercar do povo, de misturar - me com ele, viver sua vida, integrar - me em sua realidade. (AMADO, 1981: 12)




                                                          

Justificativa


2012 é o ano do centenário de Jorge Amado, esse autor fascina seus fãs e não deixa oculta   a cultura baiana quando se trata de seus livros literários, tendo em vista essa afirmativa é que surgiu o projeto Conhecendo e interagindo com as obras de Jorge Amado com o intuito de fazer uma viagem pelas obras do autor visto que ele será um dos autores como fonte de estudo de alguns vestibulares do ano em curso a citar a Universidade do Estado da Bahia ( UNEB ) com dois livros nas sua referencia. Os alunos em foco farão esse vestibular e outros que com certeza virão, unindo o útil ao agradável o projeto fará estudos das obras nos período de 05 de novembro a 07 de dezembro de 2012 no Colégio Modelo Luis Eduardo Magalhães, situado à rua  Joel Presídio, tendo como público alvo os alunos do 3° ano do ensino médio  inscritos  no projeto EM Ação.

Jorge Amado fez e faz muito sucesso com suas obras que eram feitas sobre a época dos coronéis, ele foi um grande criador de romances ficcionais e o mais interessante é que muitas vezes seus personagens eram tirados de pessoas da vida real, apimentando sua história um pouco ou mudando seu nome apenas, ele foi tão famoso que muitos de seus livros eram traduzidos para outras línguas, descreve um Brasil mestiço, alegre, festeiro e sensual apresenta elementos pinçados de um país tão real como imaginário, do mesmo modo como seus livros permitem entender aspectos sociais e culturais fundamentais da própria sociedade brasileira.

Pretende-se aqui despertar nos alunos, por meio  das obras  de Jorge Amado, não apenas o gosto pela leitura, mas também o interesse pela reflexão crítica e viva acerca da nossa realidade porque a literatura sempre foi um reflexo, mas também um elemento produtor de nossa identidade, e Jorge Amado é figura de ponta para, bem acompanhados, entendermos com quantas obras e romances se constrói uma imagem privilegiada desse Brasil,mas precisamente dessa Bahia maravilhosa


Objetivo Geral

Conhecer e analisar obras de Jorge amado tendo em vista a linguagem e aspectos culturais da época fazendo uma analogia com a atualidade.

Objetivos Específicos

·         Identificar e caracterizar a Bahia como cenário nas obras de Jorge Amado.
·         Analisar a figura feminina nas obras do autor.
·         Identificar os principais temas abordados nas obras de Jorge Amado.
·         Conhecer trechos de obras literárias do autor
·         Comparar as características dos principais personagens dos livros em estudo
·         Conhecer o estilo literário do autor
·         Analisar a linguagem empregada nas obras literárias de Jorge Amado.
·          
Procedimentos

1° momento

·         Questionamentos sobre o que sabem sobre Jorge Amado
·         Levantamento das obras do autor conhecidas pelos alunos
·         Leitura da biografia de Jorge Amado
·         Discussão sobre a biografia

2° momento

·         Leitura de trechos do livro Capitães da Areia
·         Exibição do resumo do filme Capitães da Areia
·         Comparação do vídeo com o livro através de discussões
·         Apontamento com semelhanças e diferenças
·         Produção textual: resumo  do vídeo com leitura pelos alunos para socializarem as várias formas de se contar uma mesma história.

3° momento

·         Apresentação do livro Dona Flor e seus dois maridos
·         Leitura de trechos do livro
·         Comentários sobre os trechos lidos
·         Exibição do filme Dona Flor e seus dois maridos
·         Discussão sobre o vídeo   comparando a escrita do livro
·   Levantamento de aspectos abordados no livro e no filme como por exemplo religião, fidelidade, culinária, linguagem e cultura baiana.
·    Criação de mural abordando aspectos dos dois livros analisados ( autor,n° de páginas, editora,  temáticas envolvidas, principais personagens )

4° momento

·         Leitura de capítulos dos livros Gabriela cravo e canela, Tereza Batista cansada de guerra
·      Comparação dos capítulos lidos por escrito abordando as duas mulheres ( comportamentos, posição social que ocupa, rotina ... )
·         Discussão sobre os textos produzidos

5° momento

·         Exibição do filme Tieta
·         Levantamento de temas abordados no vídeo
·         Discussão em grupo com elaboração de cartaz
·         Produção textual abordando a figura feminina nas obras do autor
6° momento
·         Apresentação de uma escolinha em homenagem a Jorge Amado, abordando os principais personagens de Jorge Amado em seus livros.

Recursos

Obras literárias de Jorge Amado, DVD,data show,  caixa de som,  computador,papel metro, pincel atômico, cartolina.

Conclusão

 Durante todo o processo foi feita inúmeras leituras de obras literárias do autor com uma participação e comprometimento com as atividades propostas pela monitora, os alunos assistiram a vídeos e expressaram pontos de vistas em todos os momentos, como momento final aconteceu a Escolinha do professor Jorge Amado, em que os alunos eram os personagens dos livros estudados ( os alunos estavam a caráter do personagem e se comportavam como tal).
O trabalho foi gratificante. Acredito que Jorge Amado foi muito bem interpretado e que os alunos obtiveram êxito ao conhecer o estilo literário e as obras do autor.

Referencias

AMADO, Jorge. Tieta do Agreste. 26ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2001.

___________. Capitães da Areia.  108ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2002

___________. Dona Flor e seus dois maridos. Rio de Janeiro/São Paulo, Record. 1996.   
___________. Gabriela, Cravo e Canela. Rio de Janeiro: Companhia das letras, 2012
____________.Tereza Batista cansada de guerra.   Rio de Janeiro:  Companhia das Letras, 2008.  

TAVARES, Paulo. O Baiano Jorge Amado e sua obra. São Paulo: Record. 1982.



domingo, abril 17, 2016

Análise do discurso de trecho do livro Cabeça de Porco II

O livro Cabeça de porco é fruto de uma parceria entre MV Bill (Rapper), Luiz Eduardo Soares (Antropólogo) e Celso Athayde (Produtor de MV Bill, idealizador e coordenador da CUFA - Central Única das Favelas) onde se reuniram em um só tema. A obra nos aponta temas como a violência nas favelas, as "ramificações" da vida no morro, que são a criminalidade, drogas ou tráfico, além da desestruturação familiar, o desamparo social, a corrupção da polícia, o racismo.
A obra parte de uma pesquisa que MV Bill e Celso Athayde iniciaram para retratar como vivem as comunidades marginalizadas. Eles percorreram o Brasil de Norte a Sul e visitaram as favelas mais conhecidas pela violência e criminalidade, uma jornada angustiante a cada parada. Vivem a realidade de um Brasil que poucos conhecem e por isso mesmo quem nos apresenta esse contexto são os relatos de moradores, com histórias marcadas pelo sofrimento da violência, das drogas e mortes.
No capítulo IV, intitulado como Invisibilidade e reconhecimento destacamos  o texto “ Invisibilidade, Reconhecimento e a Fonte Afetiva do Crime” ( p.175), e é a partir deste enunciado e de alguns trechos do referido texto, que iremos fazer uma análise de discurso de linha francesa, abordando os seguintes conceitos: Discurso, Sujeito e Formação discursiva.
A Análise do Discurso iniciou-se na França, na década de 60, com as publicações da Revista Langages, nº13, de Jean Dubois, em 1969, e do livro Análise automática do discurso, de Michel Pêcheux, também em 1969. A Análise do Discurso caracteriza-se como uma “transdisciplina” de interpretação que busca compreender o processo que leva à construção dos sentidos, pensando na relação entre a língua, discurso e ideologia. De acordo com Orlandi (2007, p. 17), “o discurso é o lugar em que se pode observar essa relação entre língua e ideologia, compreendendo-se como a língua produz sentidos por/para os sujeitos”.   

Destacamos o trecho do  livro Cabeça de Porco para analisarmos,

Um jovem pobre e negro caminhando pelas ruas de uma grande cidade brasileira é um ser socialmente invisível.[...] Uma das formas mais eficientes de tornar alguém invisível é projetar sobre ele ou ela um estigma, um preconceito. Quando o fazemos, anulamos a pessoa e só vemos o reflexo de nossa própria intolerância. Tudo aquilo que distingue a pessoa, tornando-a um indivíduo, tudo o que nela é singular, desaparece. O estigma dissolve a identidade do outro e a substitui pelo retrato estereotipado e a classificação que lhe impomos [ATHAYDE, Celso; BILL, MV; SOARES, Luís Eduardo.  P. 175].

Sabemos que as diferentes formas de viver a juventude, de ir a busca das suas necessidades, faz da cidade um lugar de representações simbólicas, sociais e físicas, onde se constroem as condições pessoais para o viver. O sentido de reconhecimento em que os jovens apontam como necessidade cidadã e muitas vezes ignorados pelos órgãos públicos, no tocante a ausência de oportunidades congruentes com as reais necessidades da juventude, pode ser entendida como sendo uma necessidade de auto-valorização e respeito pelas diferenças. No entanto, muitos desses jovens não tem essa oportunidade e passam despercebidos pela vida, o que nos faz questionar de que forma ou quando as pessoas são consideradas invisíveis para a sociedade.
É notável que a nossa sociedade é desigual, embora permaneça um discurso de que todos nós somos iguais perante a lei, mas  apenas no papel porque a todo momento tem pessoas que são vítimas de preconceito diversos, no trecho  em estudo ser foco de discriminação pela origem ou cor da pele gera revolta e reivindicação por oportunidades iguais.
Tendo em vista a formação discursiva que se define como aquilo que numa formação ideológica dada, ou seja, a partir de uma posição dada em uma conjuntura sócio-histórica determina o que pode  e deve ser dito. Encontramos nesse trecho a presença de um discurso capitalista, em que  a diferenciação das classes sociais através de um estereótipo  (pobre/rico), ou seja, o fato de ser pobre já é a culpa de todos os problemas que surgirem, rotulando-os como “ moleque perigoso ou guria perdida”, cujo comportamento já é previsível, resultados de estigmas associados à pobreza, os que derivam do racismo.
 Esses jovens estão inseridos em uma sociedade historicamente preconceituosa, jovens moradores de favelas, em sua grande maioria afrodescendentes, são impedidos de desfrutar de uma vida digna, com igualdade e oportunidade de acesso aos bens necessários à existência humana, como trabalho, habitação, saúde, educação, lazer e reconhecimento, fatores estruturais que constituem a condição para efetivação da cidadania. Dentre os fatores gerados pelas práticas excludentes percebemos a incansável busca pela visibilidade social que alguns jovens manifestam através do fascínio por  status e sedução proporcionados pelas armas de fogo, as quais representam para eles reconhecimento e poder.
Nesse trecho observamos um discurso em busca de um status mais elevado, uma ambição em mudar de vida de maneira fácil e rápida sem ao menos pensar nas conseqüências de seus atos, a única coisa que às vezes interessa é a satisfação do seu ego, a elevação da sua auto-estima mesmo que de maneira ilícita.
A transfiguração da identidade decorre da concepção problemática dos estereótipos, os quais têm assumido sacralidade na vida social, apesar de a priori não haver razão para tal legitimação. Os estereótipos estão diretamente atrelados às idéias preconcebidas a respeito de determinado assunto, pessoa ou imagem e podem gerar uma sistematização de ações que altera completamente a maneira pelo qual o outro passa a ser percebido em função da rotulação ou especificação dada a determinado grupo social. É o que se verifica no trecho abaixo:

Quem está ali na esquina não é o Pedro, o Roberto, a Maria, com suas respectivas idades e histórias de vida. Quem está ali é o “moleque perigoso” ou a “guria perdida”, cujo comportamento passa a ser previsível. Lança sobre uma pessoa um estigma correspondente a acusá-la simplesmente pelo fato de ela existir. Prever seu comportamento estimula e justifica a adoção de atitudes preventivas. Como aquilo que se prevê é ameaçador, a defesa antecipada será a agressão ou a fuga, também hostil. Quer dizer, o preconceito arma  o medo que dispara a violência, preventivamente (Invisibilidade, reconhecimento e a fonte afetiva do crime, por Luís Eduardo Soares, p. 175)


            Os cientistas sociais diriam que este é um caso típico de “ profecia que se autocumpre” Esses pessoas entram nessa vida e tornam-se “ invisíveis”  invisíveis porque nada é feito para reforçar a auto estima, apenas os colocam ( quando colocam) em instituições que os humilham, agridem, eliminando suas chances de regeneração, de recomeço.
O fato é que enquanto seres humanos, tudo o que vivemos nos diz respeito, e precisamos tomar atitudes que apontem uma melhoria na qualidade de vida dessas pessoas que vivem em favelas e que não são vistos pelo poder público, ao não ser em campanhas eleitorais, como diz o livro Cabeça de porco, porque somos cúmplices da sociedade em que vivemos – com seus defeitos e qualidades, - por omissão ou contribuição ativa” ( p.223), e assim se nada fizermos essas pessoas continuarão invisíveis aos nossos olhos no dia a dia sendo preciso torná-las visíveis em toda a comunidade/sociedade, assim como na mídia e não apenas  visível apenas quando eles fizerem mal a alguém como roubando ou matando como é retratada atualmente.






Referências

MELUCCI, Alberto. Juventude, tempo e movimentos sociais. Revista Young. Trad. Angelina Peralva. Estocolmo: v. 4, nº 2, 1996, p. 3-14.

SOARES, Luiz Eduardo; MV Bill, ATHAYDE, Celso. Cabeça de Porco. Rio de janeiro: Objetiva, 2005.

ALVES, Aline; BRITO, Glauber; LIMA, Jaiane; MODESTO, Cristiane; PEREIRA, Adilton; QUADROS, Adriana. Cadeia da Violência. F2J. Salvador. Junho/2006.






Análise de discurso de trecho do livro Cabeça de Porco

O texto Dois reais ( pág 114) do livro Cabeça de Porco nos conta a historia real  de um  personagem chamado Nélio que foi morto porque devia 2 reais a traficantes de drogas. O traficante cobrava o debito sempre, mas Nélio era bom de papo e se livrava do pagamento, no entanto, no mundo das drogas sempre chega a hora do pagamento, ou seja, o traficante não sai perdendo e o mata com dois tiros, Nélio fica sangrando como um porco.
Sabemos que a construção de um discurso pelo sujeito depende de suas condições de produção, essas condições de produção é o que caracteriza o discurso e o constituem como objeto de análise.
O texto é narrado numa favela, o morador da mesma convive com a exclusão no dia a dia: desde a falta de estrutura das casas até a falta de um emprego digno. Chega um determinado momento em que a única forma de conseguir sobreviver é trabalhar para os traficantes. Como consequência dessa atividade criminosa, morrem muitos pais de família e, para manter as mesmas condições de sustento, muitos jovens assumem o posto que fora do pai, iniciando o ciclo de violência e morte para muitos jovens.
O discurso, nesse sentido, para além de sua postura política, passa a ser ornamentado por uma perspectiva testemunhal, determinando a voz oriunda dos espaços periféricos como a verdadeira forma de representação da miséria e da violência que assola estes espaços.
Para Pêcheux, segundo Brandão,

No discurso, as relações entre esses lugares, objetivamente definíveis acham-se representadas por uma série de “formações imaginárias” que designam o lugar que destinador e destinatário atribuem a si mesmo e ao outro a imagem que eles fazem de seu próprio lugar e do lugar do outro. (BRANDAO, 2004, p.44)

A  exemplo do efeito produzido pelo discurso do texto “Dois Reais” na expressão “ Você me aguarde”que representa uma ideologia repleta de valores morais pertencentes ao cenário do tráfico,  esse sujeito traficante, que ameaça, que mata por dois reais evidencia uma formação ideológica que o rege, no caso a criminalidade.

Esses lugares citados por Brandão acima e essas relações são conflituosas. No mundo do crime e da violência, há uma ética e uma moral; no entanto, esses conceitos têm seus valores reformulados perante a sociedade que rege o tráfico. Nessa sociedade capitalista, dois reais são uma dívida que pode ser paga com a própria vida. Nélio devia dois reais; não pagou e foi brutalmente assassinado perante os amigos: A expressão “Nélio ficou sangrando que nem um porco” nota-se uma intertextualidade com o Naturalismo, foi  atribuído ao  personagem  características animalescas. Nélio, quando é comparado a um animal, passou a ser insignificante, pois um porco morto não faz falta à sociedade; serve, antes, para alimentá-la. Infere-se, portanto, que Nélio foi mais um “alimento” para a crescente violência da sociedade.
Assim, a animalização da personagem é uma característica presente nas obras naturalistas, pois, quando elas adquirem adjetivos comuns a de um animal, voltam ao seu passado, à sua essência instintiva, e essa característica, segundo o Naturalismo, faz parte do ser e dele se torna impossível se dissociar. Essa intertextualidade torna os leitores mais próximos e sensíveis, com um olhar crítico para os verdadeiros problemas sociais.
O trecho “ A esperança como dever (p.115-125), do livro Cabeça de Porco, mais precisamente nas páginas em estudo ( 122-23) nos descreve a esperança, do bandido como humano  apto a mudar e todas as implicações que uma mudança tem, a primeira nos remete ao perdão, no sentido de regeneração do comportamento e a segunda o perdão enquanto cidadão, ou seja, ao fato de ser absolvido por um julgamento jurídico, nos traz uma esperança no sentido de que enquanto houver vida, há esperança de mudança, no entanto nos mostra que a única saída para a maioria deles é a morte; por isso, esse preceito de base positivista pode ser questionado por um simples argumento: nem todo mundo que se corrompeu irá morrer no universo do crime ou não conseguirá voltar a ser um cidadão honesto.
            A formação discursiva é um conceito sofisticado e fundamental para que  possamos entender o discurso que se pretende analisar. O filósofo francês Michel Foucault (1997, p. 35) define formação discursiva como “um conjunto de regras anônimas, históricas, sempre determinadas no tempo e no espaço e que definem em cada época dada e para cada área social e econômica, geográfica ou lingüística dada as condições do exercício da função enunciativa”.
A formação discursiva desse texto é predominantemente religiosa, mas sabemos que enquanto outros discursos se abrem a possibilidade para que haja a troca no processo comunicativo, no discurso religioso, isso é limitado, pois quem fala sempre é a voz de Deus, por meio de seus representantes. Dessa forma, podemos definir o discurso religioso presente no texto como aquele que “[...] o homem faz falar a voz de Deus” ( ORLANDI, 1987, p.30).
Assim, no texto em estudo há um discurso religioso que se faz presente a tentação e a intimidação, a tentação porque agindo de forma como a doutrina é pregada pelos religiosos representantes das igrejas, os fieis podem alcançar o reino dos céus e intimida porque a não aceitação conduz a alma ao castigo, ou seja, ao inferno. Dessa maneira, o discurso católico é ainda muito presente na sociedade brasileira, mesmo muitos afirmando que não frequentam a igreja. Nesse sentido afirma Brandão (1999, p. 23) “a ideologia se materializa nos atos concretos, assumindo com essa objetivação um caráter moldador das ações”, assim sendo, o sujeito inconscientemente toma um discurso da ideologia para si e o reproduz sem ao menos perceber. Não existe um discurso religioso fora das religiões.  Quando se ouve um discurso religioso, mesmo que não seja de uma religião familiar, identificamos como um discurso religioso e mesmo que o senso comum nos permita dizer que há muitos sujeitos que, nos dias de hoje, distanciaram-se da igreja, os principais conceitos dessa instituição ainda estão fortemente marcados em seus discursos.
Sabemos que para entendermos melhor esse formação discursiva religiosa, outros discursos devem ser tomados em consideração como o discurso da psicologia comportamental, muito forte na época, do individualismo, do consumo, do anti-comunismo,  e  isso nos infere aos  direitos humanos que fazem parte de uma formação discursiva que se poderia chamar de cultura ocidental, que se impõe ao mundo por construções de discursos hegemônicos ou até mesmo pela força. A grande maioria das pessoas que estão sobre o planeta tem culturas que  não aceitam os direitos humanos como universais, persistindo assim um  princípio determinista em que uma pessoa criada na favela será sempre um marginal, dificilmente será vista como um trabalhador  ou  que, uma vez bandido sempre bandido, não merecendo assim o arrependimento dos seus pecados.



Referências:


BRANDÃO, Helena. Introdução à analise do discurso. São Paulo: UNICAMP. 8. ed.
2002.

FOUCAULT, M. A Ordem do Discurso.  São Paulo: Loyola, 1996.
ORLANDI, Eni Puccinelli. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. 9ª Ed., Campinas, SP. Pontes Editores, 2010

__________. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. 2ed. Campinas:

“ Todos contra esse mosquito: A escola também se preocupa com essa causa”


Justificativa


A educação é uma poderosa arma para combater o mosquito Aedes aegypti, transmissor do zika vírus, da dengue e da febre chikungunya.” Aloizio Mercadante

De acordo com a fala acima do ministro da Educação Aloizio Mercadante, o  Brasil tem enfrentado um sério problema de saúde causado pelo mosquito aedes aegypti.
E nós como educadores não podemos ignorar essa situação, pois a cada momento que se passa a situação se agrava mais. Pessoas e mais  pessoas  contaminadas  pela  picada  do  mosquito  estão  sendo  hospitalizadas  e  algumas  delas  chegando  à morte. 
Assim, a população necessita de informações sobre as doenças causadas por este mosquito bem como as formas de prevenção, sintomas e como eliminar de vez esta ameaça, em parceria com a saúde a educação pode fazer a diferença nesse processo.

Objetivo geral

Chamar atenção da  comunidade  escolar  e  comunidade  do  entorno,  visando  a  conscientização  quanto  à  importância de  combater  o  mosquito  Aedes  aegypti  como  principal  maneira  de  prevenir  doenças  graves  causadas  por  este  mosquito.

Objetivos Específicos

  • Sensibilizar e Mobilizar os alunos no combate a dengue
  • Conhecer as doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti
  • Alertar sobre os principais sintomas da dengue diferenciando-os das demais doenças provocadas pelo aedes Aegypti
  • Conhecer a origem do mosquisto aedes aegypti
  • Desenvolver a cidadania; 
  • Identificar as regiões brasileiras mais afetadas pela DENGUE, ZIKA E CHIKUNGUNYA
  • Compreender e evitar o ciclo de vida do mosquito
  • Adquirir hábitos e atitudes que colaborem para acabar com o mosquito
 e com a Aedes aegypti
  • Aplicar os conhecimentos adquiridos em sala de aula.

PÚBLICO ALVO:  

Toda comunidade escolar e comunidade do entorno.

DISCIPLINA:  

Ciências 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

  • Conversas informais
  • Estudo dirigido sobre a origem do mosquito e das doenças
  • Análise de charges que envolvam o mosquito e as doenças
  • Exibição de vídeos sobre as doenças dengue, zika e chikungunya e como  evitá-las
  • Pesquisas na internet.
  • Confecção de cartazes, faixas, desenhos de forma coletiva
  • Realização de palestras com profissionais da saúde.
  • Criação de panfletos.
  • Criação ou reprodução de paródias sobre o mosquito

Recursos:

TV, cartolinas, lápis de cor, papel metro, hidrocor, textos xerocados, panfletos, aparelho de som.

AVALIAÇÃO:
A avaliação será contínua mediante abordagem do tema e da participação e execução do projeto e como  culminância uma caminhada envolvendo todas as escolas.

Referencias:




domingo, novembro 03, 2013

Projeto Cidadania: Conhecendo e praticando direitos e deveres



Justificativa



Sabemos que a escola como formadora de cidadãos tem a função de antecipar e provocar sua comunidade de maneira consciente sobre os valores que o cidadão precisa possuir no cumprimento dos seus deveres, para usufruir de seus direitos perante a sociedade com respeito e compromisso de todos.

Assim, a presente proposta prevê  ações inter-relacionadas que tenham dupla direção, para “dentro” e para “fora” da escola. As ações para “dentro” da escola são aquelas que objetivarão  a  implementação da pedagogia de projetos, aliada aos princípios de transversalidade e interdisciplinaridade. Os conteúdos relacionados aos projetos, serão incorporados às disciplinas específicas da escola. As ações para “fora” da escola são aquelas que promovem a articulação entre a escola e os espaços de aprendizagem de seu entorno. Desse modo, partindo dos projetos interdisciplinares e transversais, elaborados em sala de aula, mas desenvolvidos fora dos muros escolares (nas praças, ruas e na zona rural), a escola se aproximará da comunidade, utilizando seus equipamentos e espaços como fontes de aprendizagem. 

Sabemos que temáticas de ética, convivência democrática, direitos humanos e inclusão social, levadas para dentro da sala de aula e articuladas com os conteúdos tradicionalmente contemplados pelos  currículos e desenvolvidas com a comunidade , pressupõe uma nova maneira de pensar o papel da escola. Esta mudança de paradigma implica na revisão  dos papéis dos diferentes atores envolvidos na educação e uma abertura da escola para acolher a diversidade da população que a compõe. Assim concebida, a  escola não se encerrará em si mesma, mas se tornará parte integrante da vida de seus alunos e da comunidade onde está inserida.

 Esse é o sentido que podemos dar a uma educação em valores que incorpora em seus objetivos a escola, mas também a comunidade e o bairro onde ela se insere.

O projeto se desenvolverá de acordo com as ações previstas  em sala pelos professores realizando  ações como exemplo de cidadania visando alcançar os valores a serem trabalhados: justiça diante de qualquer situação, mantendo a ordem de acordo com direitos e deveres dos alunos, impondo respeito entre todos, incentivando os alunos, a saber, a hora de ouvir, de falar... adequando as atividades com os conteúdos previstos para a 1ª unidade, contextualizando assim com o cotidiano escolar.





Objetivo geral

Informar e conscientizar pais, alunos, comunidade em geral da importância de se desenvolver a cidadania na sociedade, conhecendo e exercendo o seu papel de cidadão de forma crítica.




Objetivos Específicos


ü     Conscientizar os educando e comunidade escolar da importância dos direitos e deveres do cidadão como forma compromissada e respeitosa;

ü     Reconhecer hábitos importantes da vida cotidiana, que vão ajudá-los a ser uma pessoa melhor com os outros;

ü      Pensar sobre a importância de estar sempre atento a tudo que o cerca;

ü      Perceber que em uma série de situações da vida real, é importante se tornar uma pessoa responsável, para que as pessoas possam ter confiança nela;

ü     Valorizar o diálogo como forma de lidar com os conflitos;

ü     Perceber que as normas devem ser respeitadas por causa de uma finalidade;

ü     Perceber que as boas maneiras são muito importantes para garantir um convívio agradável e respeitoso para todos;

ü   Despertar atitudes simples de conservação dos ambientes públicos: não jogar papel na calçada; não derrubar latas de lixos de casas; não pichar muros; não quebrar vidros; não destruir os objetos da escola e nem mesmo ela; não rabiscar ou colocar os pés na parede;

ü  Aprimorar valores e atitudes, capacitando os alunos na busca e uso competente de informações no seu cotidiano;

ü     Desenvolver a habilidade de realizar pesquisa (levantamento de dados, delimitação do problema, levantamento de hipótese, das fontes de investigação, organização e tratamento dos dados levantados, apresentação do produto final);

ü     Ampliar os conteúdos conceituais, bem como os de procedimentos e de atitudes;

ü     Elevar a auto-estima dos alunos, colaborando para que se torne um cidadão atuante;

ü     Subsidiar e ampliar os conhecimentos dos alunos relativos aos riscos mais presentes na realidade em que vivem, para permitir atitudes adequadas aos interesses e expectativas de cada um.



Conteúdos


Tema Geral Cidadania - Tópicos a serem abordados:

ü     Identidade

ü     Boas Maneiras/ Valores

ü     Relações de Trabalho

ü     Tecnologia e sexualidade

ü     Meio ambiente

ü     Bullyng

ü     Comportamentos sociais

ü     Esporte e cidadania

ü     Alimentação

ü     Patrimônio público

ü     Função dos órgãos públicos

ü     Reciclagem

ü     Estatuto do Idoso

ü     Violência contra adolescente

ü     Música, cultura e cidadania

ü     Violência no trânsito

ü     Saúde preventiva

ü     Saneamento básico

ü     Autoestima



Procedimentos (Ações a serem desenvolvidas)



O projeto será desenvolvido de forma interdisciplinar e contínua, contando com a participação de toda a comunidade escolar, os professores em cada série adequará seus conteúdos de forma criativa com a cidadania e os valores a serem alcançados.  Algumas sugestões podem ser seguidas pelos professores para melhor desenvolvimento de suas aulas: vídeos, palestras, textos informativos, painéis, júri simulado, poemas, confecção de cartazes, dramatização, exposição de trabalhos, relatos de experiências vividas, roda da conversa, elaboração de textos espontâneos/ solicitados, estudos de  textos de diversos gêneros referentes a valores, boas maneiras, cidadania, orientação no trânsito e preservação do meio ambiente, bullyng, violência contra o adolescente, estatuto do idoso, alimentação, saúde pública, patrimônio público, saneamento básico...



Recursos


Data show, livros didáticos, textos diversos, revistas, jornais, pincel atômico, lápis de cor, vídeos, cartazes,



Avaliação



A avaliação deverá realizar-se de maneira continua, mediante observação; considerando o processo e não apenas o produto.  Neste sentido, espera-se que o (a) aluno(a) se torne um agente transmissor e multiplicador dentro da sua família, vizinhança e com os demais amigos, assuma seu papel como agente cultural, um cidadão que sabe o seu papel na comunidade com engajamento individual e social na solução de problemas.

A avaliação também estará no próprio resultado do trabalho. Verificando nas falas dos alunos durante as atividades o aprendizado e desenvolvimento da oralidade e da expressividade.








Desafios nas redes sociais

A aprendizagem em espaços virtuais, como por exemplo, as redes sociais constitui um enorme desafio para a sociedade digital, na medida em q...