quinta-feira, agosto 15, 2013

Resumo do livro A Odisséia

Resumo do Livro a Odisséia de Homero

A Odisséia

A Odisseia retrata o regresso de Ulisses, rei de Ítaca, da Guerra de Tróia, pelo mar, até à sua terra natal. Durante a obra são focadas outras personagens, em Ítaca, onde Penélope aguarda pelo marido e onde uma multidão de pretendentes aguarda pela mão de Penélope, e também foca Telémaco, o filho de Ulisses, na sua busca pelo pai.
A Odisseia começa já passados dez anos da queda de Tróia, portanto, passados vinte anos do início da guerra, com Ulisses ainda longe de casa. Durante a sua ausência, um grande número de nobres juntaram-se na sua casa, banqueteando-se dos seus bens, e esperando a mão de Penélope, para usurparem o trono.
Esta situação causa grande dor em Telémaco, que vê a sua casa a ser consumida e sente-se impotente, pois é visto como muitos como uma criança.
Entretanto, os outros nobres da guerra já voltaram a casa, muitos morreram, vítimas da sua viagem de regresso ou de outras causas, como Agamémnon, que foi morto por Clitmnestra, a sua mulher, por ter sacrificado a filha Ifigénia. Apenas Ulisses continua desaparecido.
Resumidamente, na Odisseia contam-se as várias peripécias de Ulisses, até regressar a casa, bem como a procura deste por parte do seu filho. Ao regressar a casa, Ulisses mata os pretendentes e reencontra-se com Penélope. A obra apresenta ainda um último canto em que os pretendentes entram no reino dos mortos e os deuses restabelecem a ordem civil.
Resumo Geral
Ao sair de Tróia, Ulisses vive muitas aventuras, relatadas, não cronologicamente, na Odisseia. Ao mesmo tempo, a  sua casa é inundada de pretendentes, que vão desgastando a sua posse sob o pretexto de quererem a mão de Penélope.
Penélope, por sua vez, inventa variadas artimanhas, como a famosa artimanha do tear: ela diz que casará com um deles assim que teça uma mortalha para o velho Laertes, pai de Ulisses, mas se tece durante o dia, durante a noite desfaz.
Telémaco, o filho de Ulisses, ao atingir a sua maioridade, também não fica quieto. Incitado por Atena, ele parte em busca de notícias do pai, para o fazer regressar a Ítaca, ou para poder ele assumir o poder. Ao longo das suas viagens, a chamada Telemaquia, Telémaco vai crescer e amadurecer, terminando a obra como um homem adulto e maduro.
Retomando a história de Ulisses, ao sair de Tróia, passados dez anos de guerra, ele acompanha Nestor e Diomedes, mas depois separa-se desta frota e junta-se à de Agamémnon.
No entanto, uma tempestade desvia-o do curso, e, em vez de ir parar a Ítaca, Ulisses vê-se no Norte de África, no país dos comedores de Lódão. Ao ver onde estava, Ulisses arrasta os seus companheiros para o barco, e fazem-se novamente ao mar. Mas antes, alguns comeram a estranha planta e esqueceram completamente a sua terra natal.
Ulisses navega para o norte, mas, novamente, não vai dar a Ítaca. Desta vez, ele atraca no país dos ciclopes, os gigantes de um só olho. Lá é aprisionado por Polifemo, mas consegue escapar com a famosa charada do ninguém.
Primeiro Ulisses disse ao ciclope que se chamava Ninguém. Então, quando o cegou, Polifemo gritava "Ninguém cegou-me" e os outros ciclopes julgavam que ele tivesse ficado doido. Assim, Ulisses pode fugir, mais os companheiros, escondidos nas ovelhas.
Estranhamente imprudente, Ulisses gabou-se ao ciclope, dizendo que aquele que o tinha enganado se chamava Ulisses. Então, Polifemo amaldiçoou-o, pedindo a seu pai, Posídão, que o não deixasse regressar a casa, ou que o fizesse passar por muitos tormentos antes de o fazer. Daí o ódio de Posídão para com Ulisses.
Então atracaram em Eola, a terra do rei Eolo, senhor dos ventos. Este, compadecendo-se de Ulisses, deu-se um pote com todos os maus ventos, para que fizessem uma viagem segura para casa.
Já se avistavam as chaminés de Ítaca quando a curiosidade dos tripulantes de Ulisses deitou tudo a perder. Eles abriram o pote, julgando que continha tesouros que Ulisses queria para si, e logo os maus ventos escaparam e arrastaram o navio de volta para Eola.
Desta vez, julgando que a culpa tinha sido de Ulisses, Eolo não os ajudou e expulsou-os de casa. Assim, Ulisses chega à terra dos Lestrígones, que comiam homens. Alguns dos companheiros de Ulisses perderam assim a vida, e muitos outros também morreram quando os canibais, atirando pedras das falésias, destruíram 11 dos 12 navios de Ulisses.
Fugindo da terra dos Lestrígones, Ulisses chega à ilha de Circe, uma feiticeira que transforma todos em porcos, excepto Ulisses, que tinha comido uma planta que Hermes lhe indicara, para que não sofresse do feitiço. Ulisses torna-se então amante de Circe.
Passado um ano, os seus homens lembram-no de casa, e ele expôs o problema a Circe, que o ajuda. Primeiro, diz ela, Ulisses tem de ir ao Hades e, aí, falar com Tirésias, o adivinho. A própria feiticeira dá-lhe instruções para ele chegar à mansão dos mortos.
Ulisses fala com Tirésias no Hades, que lhe conta todos os perigos e sofrimentos que ele irá viver. Nesta viagem, morre um membro da tripulação, e por isso, ao sair do Hades, Ulisses regressa à ilha de Circe para o enterrar.
Então prossegue na sua viagem em direcção a casa, não sem antes a feiticeira lhe ensinar como há-de fazer para sobreviver às sereias. Ao encontrar-se com estes seres, que, ao, cantar atraem os marinheiros que se atiram ao mar, Ulisses já vai prevenido e encheu os ouvidos dos seus homens com cera, para os impedir de ouvir, pedindo-lhes que o amarrassem fortemente.
Assim, Ulisses passa salvo pelas sereias e prossegue a sua viagem. No entanto, a sua rota atravessa o lar de Cila, um monstro de seis cabeças que vive nas falésias de um lado do estreito, e de Caríbdis, um redemoinho do outro lado do estreito.
Para atravessar o estreito, é impossível escapar aos dois monstros. A nau foi manobrada de forma a escapar a Caríbdis, no entanto, não conseguiu evitar que seis homens morressem pelas seis cabeças de Cila.
Abalados, os homens prosseguem viagem, chegando à terra onde Hélios, o deus do Sol, pasta o seu gado. Sabendo que Hélios vê tudo, Ulisses avisa os seus homens para não comerem do gado. Eles obedecem, mas, passado um mês sem vento, os homens não conseguem resistir à fome e comem vacas quando Ulisses dorme, granjeando o desfavor do deus do Sol.
No dia seguinte os ventos sopraram favoráveis e eles partiram para Ítaca. No entanto, encontraram uma grande tempestade que os matou a todos, escapando apenas Ulisses, o qual flutuou por muito tempo, até chegar à ilha de Calipso.
Calipso torna-se amante de Ulisses, desejando-o para seu marido imortal, mas ele só pensa na mulher, Penélope, no filho, Telémaco, e na sua terra, Ítaca, ansiando regressar a casa. Assim se passam nove anos.
Passado nove anos, os deuses todos, excepto Posídão, reúnem-se num concílio e decidem que é tempo de Calipso libertar Ulisses. A ninfa obedece e ajuda Ulisses a preparar uma embarcação, na qual ele parte para Ítaca.
Mas Posídão, zangado por terem tomado aquela decisão sem ele, destruiu a embarcação de Ulisses, e este nadou até à terra dos Feaces. Aí, o rei e a raínha compadecem-se dele e oferecem-lhe ricos presentes e uma embarcação, na qual ele, finalmente, regressa a Ítaca.
Aí vai sendo reconhecido por diversas pessoas, começando, curiosamente, pelo seu cão, que morre de emoção. Finalmente, ele mata os pretendentes insolentes, o que ameaça causar desordem. Mas os deuses intervêm e restabelecem a ordem em Ítaca.
Canto a Canto
Canto I -
Abre-se a obra com um concílio dos deuses, quando Posídão está afastado para receber ofertas. Durante este concílio, discute-se o caso de Ulisses, odiado por Posídão, por ter cegado um ciclope seu filho. Finalmente, Atena convence o seu pai que é altura de ajudar Ulisses a voltar para casa.
Então ela vai, disfarçada de Mentes, à corte de Telémaco, vendo o festim dos pretendentes e exortando Telémaco a procurar o seu pai. O jovem convence-se e convoca uma assembleia, o que admira os pretendentes. Eles continuam no seu festim, mas Telémaco vai para a cama, sonhando com a sua viagem.
 Canto II
No dia seguinte dá-se a Assembleia dos Itacenses, em que Telémaco denuncia que os pretendentes estão a esbanjar os pertences de seu pai. Os pretendentes defendem-se, através da voz de Antínoo, que diz que a culpa é de Penélope que não escolhe um deles.
A esta acusação, Telémaco ameaça os pretendentes, e duas águias enviadas por Zeus aparecem no céu, confirmando as suas ameaças. Mas os pretendentes recusam-se a partir até que Penélope escolha um deles.
A Assembleia acaba e Telémaco vai para a praia, onde reza a Atena, que lhe aparece sob a forma de Mentor. Eles arranjam uma nau e, com a ajuda de Euricleia, a ama velha do jovem, retiram secretamente provisões para a viagem. Penélope é mantida na ignorância dos acontecimentos, para não se preocupar.
Atena disfarça-se de Telémaco e recruta vinte jovens e procura por uma nau. Depois torna a fazer-se como Mentor e, com Telémaco, parte pelo mar, em direcção a Pilo.
 Canto III
Chegados a Pilo, encontram-se com Nestor e o filho, sacrificando em honra de Posídão, e são convidados a participar no festim. Então, Telémaco identifica-se e Nestor conta-lhe os últimos dias da Guerra de Tróia.
Conta que houve uma discussão entre Agamémnon e Menelau e os dois irmãos dividiram o exército em duas facções, que partiram separadamente. Ulisses saiu com Nestor e  Diomédes, mas em Ténedos separou-se deles e juntou-se a Agamémnon. Nestor acrescenta que esta é a última vez que viu Ulisses.
Para além desta história, Nestor conta o regresso de outros reis, como Agamémnon, assassinado por Egisto e Clitmnestra, a qual foi, por sua vez, morta por Orestes, seu filho.
Conta ainda as viagens de Menelau que passou pelo Egipto e viveu várias aventuras com Helena. Por isso mesmo, chegam à conclusão que o mais sensato é que Telémaco vá visitar Menelau para ter notícias do seu pai.
No dia seguinte, após um sacrifício a Atena, Telémaco parte para Esparta num carro oferecido por Nestor, na companhia do filho mais novo deste.
 Canto IV
Chegam ao palácio de Menelau quando ocorre o festim do casamento de um dos filhos do rei e têm uma recepção exemplar. Durante o banquete Menelau fala de Ulisses, ainda sem saber quem é Telémaco, e este começa a chorar.
Então Helena junta-se a eles e reconhece o jovem, mas a conversa sobre os propósitos de Telémaco é adiada por Menelau para o dia seguinte, passando o resto do banquete, em conjunto com a sua mulher, a contar feitos de Ulisses na guerra.
No dia seguinte, Télemaco conta o que se passa em Ítaca e que está em busca de notícias do pai. Por sua vez, Menelau conta o que passou no Egipto, sendo de destacar a história de Proteu, o qual se metamorfoseava, tentando escapar, mas a quem Menelau conseguiu arrancar as informações que queria.
Proteu contou que Ulisses ainda estava vivo, mas estava preso numa ilha por Calipso, a ninfa, que o queria para marido. Contou ainda a história de cada um dos varões, do seu regresso e da sua morte.
Telémaco prepara-se para partir e recebe imensas ofertas de Menelau.
Ao mesmo tempo, em Ítaca, os pretendentes descobrem o que fez Telémaco e preparam um navio para lhe armar uma emboscada e matá-lo. Também Penélope toma conhecimento do facto, desfalecendo de preocupação, trancando-se no quarto a chorar e recusando-se a comer.
Atena conforta-a através de um sonho, em que a irmã de Penélope lhe conta que Telémaco está em segurança.
Aqui termina a chamada Telemaquia, ou seja, a parte da Odisseia centrada em Telémaco, na sua acção e no seu amadurecimento psicológico. Começa-se agora a acompanhar as façanhas de Ulisses.
 Canto V
Numa nova assembleia dos deuses, Atena põe a questão do regresso de Ulisses à pátria, ao que Zeus envia Hermes para avisar a ninfa Calipso que deve libertar Ulisses, o qual não será seu marido como ela desejava.
Assim, passados nove anos, a ninfa finalmente liberta Ulisses, ajudando-o a construir uma jangada e a apetrechá-la. O varão parte para Ítaca, mas, ao mesmo tempo, Posídão regressa dos sacrifícios que estava a receber na Etiópia, ficando irado com o sucedido.
Provoca um vendaval que destrói a jangada de Ulisses, quase afogando o herói. Mas Atena e uma ninfa do mar, Leucótea, ajudam Ulisses a pôr-se a salvo e a alcançar a ilha de Esquéria, dos Feaces, onde Ulisses adormece exausto.
 Cantos VI a VIII -Estes cantos são resumidos todos juntos porque contam o tempo que Ulisses esteve com os Feaces, antes de começar a contar a sua história.
Quando Ulisses acorda, cansado e esfomeado, é descoberto por Nausícaa, princesa dos Feaces, e as suas aias, que lhe dão de comer, o vestem e o levam à cidade, ensinando-o como deve proceder.
Ulisses vai então ao palácio de Alcínoo e de Areta, que o recebem muito bem, prometendo ajudá-lo a voltar para Ítaca. Assim se passa algum tempo, até que, num banquete, Ulisses revela a sua identidade e começa a contar a sua história.
 Canto IX - Ulisses conta como partiu de Tróia e foi parar ao país dos Cícones, onde foi derrotado e teve de fugir, indo então atracar ao país dos comedores de Lódão. Conta ainda a história do país dos Ciclopes. (ver o resumo geral)
 Canto X  - Ulisses continua a sua viagem, contando a história de Eólo, dos Lestrígones e de Circe. (ver resumo geral)
 Canto XI - Neste canto, Ulisses conta a sua descida ao Hades, onde encontrou diversas almas. (ver resumo geral)
 Canto XII  - Aqui, Ulisses relata as suas aventuras com as sereias, com Cila, com Caríbdis e a desgraça que ocorreu com o gado de Hélio, bem como a tempestade com que foi parar à ilha de Calipso. (ver resumo geral)
 Cantos XIII a XVI  -Após relatar as suas histórias, Ulisses recebe dos Feaces inúmeros presentes, e estes transportam-no até Ítaca e, por isto, são castigados por Posídão. Por sua vez, Ulisses é recebido por Atena, na forma de mendigo, que o educa para o que se passa em Ítaca.
Ulisses vai até à quinta de Eumeu, criador de porcos, que lhe é leal, mas não revela quem é, até que chega Telémaco de Esparta. Então fazem planos de manter o regresso de Ulisses secreto.
Telémaco volta depois para o palácio, como se nada se tivesse passado, com Ulisses a segui-lo, disfarçado.
 Canto XVII - Telémaco vai visitar a mãe, que fica muito aliviada por o ver vivo e ouve as suas histórias, incluindo a do rumor que Ulisses está vivo e são na ilha de Calipso. Há também uma profecia, feita por um fugitivo, Teoclímeno, a Penélope, de que Ulisses está disfarçado em Ítaca e se vai vingar dos pretendentes. Mas a mulher não acredita.
Ulisses e Eumeu vão ao palácio, encontrando Melanteu pelo caminho que insulta Ulisses e lhe dá pontapés. Ulisses, que tem que manter o disfarce, não faz nada, mas Eumeu defende-o.
Chegados ao palácio, encontram Argo, o velho cão de Ulisses. Ao vê-lo, o cão levanta a cabeça e lança o seu último gemido, morrendo. Ulisses chora, secretamente, pois não quer que Eumeu descubra ainda quem ele é.
Entram então no palácio onde, como sempre, os pretendentes estão a fazer um banquete. Telémaco oferece ao pai um lugar e deixa-o mendigar. Todos dão algo a Ulisses, com a excepção de Antínoo, o chefe dos pretendentes, que o insulta e lhe bate.
O herói amaldiçoa Antínoo pelo seu acto, que perturba até os pretendentes. Entretanto, Penélope pergunta a Eumeu pelo forasteiro e sugere que lho tragam para ouvir a sua história e saber se tem notícias de Ulisses. Este concorda que a verá nessa mesma noite.
 Canto XVIII - Durante a tarde, chega Iro, um pedinte de quem os pretendentes gostam, que começa a insultar Ulisses, dizendo que Ítaca é o seu domínio privadoi para mendigar, o que faz Ulisses ripostar. Os pretendentes organizam então uma luta entre os dois, premiando o vencedor.
Iro gaba-se e diz que vai vencer, mas quando se despem para a luta, todos ficam admirados com os músculos de Ulisses e Iro tenta escapar à querela. Mas Antínoo não o permite. Ulisses vence e recebe os prémios.
Neste canto, Ulisses tenta avisar Anfínomo, o mais bondoso dos pretendentes, do que se está prestes a passar, mas este não percebe.
Penélope aparece então, parecendo deslumbrante, com a ajuda de Atena, e censura a luta, bem como o comportamento dos pretendentes. Estes, envergonhados, mandam os servos buscar presentes para ela.
Há noite, há um pequeno desentendimento entre Ulisses e Eurímaco, que é amante de uma serva infiel a Ulisses e acaba por atirar um escabelo ao herói, mas este acaba por acertar num servo.
Gera-se então um grande reboliço, ao qual Telémaco põe fim, para admiração dos pretendentes.
 Canto XIX - Com a partida dos pretendentes, Ulisses e Telémaco preparam a sala para o dia seguinte, tirando todas as armas que aí estavam e escondendo-as, trancadas, noutra parte do palácio.
Telémaco vai para a cama e Ulisses vai ter com Penélope, disfarçado de mendigo. Eles conversam, e Penélope conta-lhe como sente saudades do marido e os truques que tem usado para manter afastados os pretendentes.
Ulisses, por sua vez, inventa uma história, afirmando ter conhecido Ulisses e afirmando que ele ainda está vivo. Isto comove a rainha, sobretudo porque o mendigo afirma que Ulisses está a caminho do país.
Antes de se separarem, Penélope pede a Euricleia, a velha ama de Ulisses, que trate os pés do mendigo. Enquanto o lava, a ama reconhece-o através de uma cicatriz, mas Ulisses impede-a de revelar a sua identidade a quem quer que seja.
Entretanto, Penélope regressa e anuncia uma nova artimanha para entreter os pretendentes: haverá um concurso em que terão que disparar do arco de Ulisses através de uma fila de doze machados. Ela diz que, quem vencer, será o seu marido.
Depois, a rainha regressa para o seu quarto e chora, até Atena a fazer adormecer.

Canto XX - Durante a noite, Atena diz a Ulisses que o irá ajudar na sua luta, o que lhe dará êxito. Por outro lado, Penélope reza a Artémis que a salve do casamento com outro homem, mesmo que para isso tenha que morrer.
Já de manhã, Ulisses reza a Zeus para que lhe dê um sinal de protecção, e o Senhor do Olimpo faz ribombar um trovão, que é escutado por muita gente. Gera-se então um clima de tensão.
O herói vai observando o comportamento dos servos, tentando descobrir quais lhe são fiéis. Nesse dia chegam ao palácio três servos fiéis, portando bens para o banquete: Melanteu, o guardador de cabras, Eumeu, o porqueiro, e Filétio, o boieiro.
Entretanto os pretendentes vão planeando o assassínio de Telémaco, regressando depois ao palácio. Nesse dia, um insulto por parte dos pretendentes desponta um comportamento inesperado de Telémaco, que serve de prenúncio ao que se vai passar: ele faz um longo discurso, enumerando todos os defeitos dos pretendetes, os quais se riem.
Um último aviso é feito pelo adivinho Teoclímeno, que lhes diz que algo terrível está para acontecer. Eles porém também se riem dele, que sai do palácio furioso. O banquete prossegue, com Telémaco aguardando o sinal do seu pai.
 Canto XXI - Neste canto dá-se a competição de arco anunciada por Penélope. Os pretendentes aceitam o desafio e Antínoo goza com os servos que se mostram perturbados pela recordação do seu amo.
Telémaco é o primeiro a experimentar, mas após quatro tentativas Ulisses impede-o de continuar. Este chama a si Filétio e Eumeu e identifica-se. Eles, emocionados, prometem cumprir as ordens que ele lhe der.
Todos os pretendentes falham a sua tentativa e Antínoo sugere que tentem de novo no dia seguinte. Então, Ulisses pede uma tentativa. Os pretendentes recusam, mas Penélope convence-os a deixá-lo experimentar, após assegurar que não o tomará por marido se ele ganhar.
Este é o sinal esperado. Telémaco faz com que a mãe e as aias saiam, entregando o arco a Ulisses em seguida. Simultaneamente, sem que ninguém se aperceba, Eumeu e Filétio trancam as portas do salão.
Os pretendentes vão gozando com Ulisses, mas este arma o arco e dispara a flecha pelos machados, aparentemente sem esforço. Tão estupefactos ficam os pretendentes, que nem reparam que Telémaco pegou na espada e na lança e se aproximou do pai.
Canto XXII - Ulisses mata Antínoo e os pretendentes pensam que o pedinte enlouqueceu, ficando desorientados. Então o herói revela a sua identidade e Eurímaco tenta convencê-lo que a culpa pertence toda a Antínoo.
Começa uma luta em que os pretendentes são todos chacinados, por Ulisses, Telémaco, Eumeu e Filétio, sendo poupados apenas Fémio, aedo, e Medonte, arauto.
Ulisses chama Euricleia, que, cumprindo ordens do herói, traz à sala as doze servas infiéis. Estas são obrigadas a limpar o salão e depois são conduzidas para o pátio, onde são enforcadas.
O local é purificado através de enxofre e os servos fiéis saudam-no.
 Canto XXIII - Euricleia vai, apressada, avisar Penélope do sucedido. Esta, incrédula, desce para ver com os seus olhos, mas não reconhece Ulisses por este estar coberto de sangue e sujidade.
Então o herói manda que o deixem sozinho com a mulher e conta-lhe alguns segredos que só eles sabiam e que, por isso, o identificam como Ulisses. Penélope fica comovida e os dois saúdam-se.
Ulisses é limpo e vestido e vai para o quarto com Penélope. Entretanto, os servos fingem que as celebrações continuam, para que, fora do palácio, ninguém suspeite de nada.
O casal passa a noite acordado, fazendo amor e contando as suas aventuras e, numa bonita cena, Atena atrasa o Sol, para que os amantes possam ficar mais tempo juntos.
No dia seguinte, Ulisses parte, armado, mais o filho, Eumeu e Filétio, para o domíno de Laertes, seu pai.
 Canto XXIV - As almas dos pretendentes chegam ao Hades, conduzidos por Hermes, onde conversam com Aquiles, Pátroclo, Antíloco, Ajax e Agamémnon.
Entretanto, em Ítaca, Ulisses e o pai reencontram-se, numa ocasião comovente. Na cidade, as pessoas tomam conhecimento da carnificina e decidem vingar-se, dirigindo-se para o domínio de Laertes.
Ao mesmo tempo, no Olimpo, Atena conversa com Zeus acerca do sucedido. Este concorda que os actos de Ulisses foram justificados e permite que a filha aja para restabelecer a paz.
Na Terra, começou o combate e vários são mortos por Ulisses e Telémaco. Mas a deusa inflige-lhes pânico com a Égide, e depois ordena que o conflito termine, ordem essa reforçada por um trovão de Zeus.
Atena disfarça-se novamente de Mentor a ajuda a estabelecer a paz entre as duas facções. Ulisses reina novamente.


sábado, setembro 10, 2011

Fichamento do Livro A contribuição da Sociologia da Educação para a compreensão escolar


TOZONI REIS, Marilia Freitas de Campos. A contribuição da Sociologia da Educação para a compreensão escolar.


Pensar a escola na perspectiva da Sociologia da Educação implica, em primeiro lugar, que pensemos sobre a relação entre educação, escola e sociedade. ( ... ) o trabalho educativo é o ato de produzir, direta  e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens” (SAVIANI, 2005, p.13). (...) o processo educativo é um processo de formação humana, isto é, um processo em que todos seres humanos - que nascem inacabados do ponto de vista de suas características humanas - são produzidos, construídos, como humanos. É um processo – histórico e social – de tornar humanos os seres humanos.

Os homens, todos os homens, necessitam de um processo de humanização, que seja direto e intencional, um processo social e consciente.

Se os seres humanos, para serem humanos, necessitam de um processo de humanização, histórico e social de formação humana – de educação –, a educação tem como objetivo realizar esta tarefa. Isso implica em um processo de conscientização que significa conhecer e interpretar a realidade social e atuar sobre ela, construindo-a.

Na história social da humanidade, diferentes e diversas instituições sociais se responsabilizaram por esse processo de formação humana, pelo processo educativo. Nas sociedades primitivas, (... ) vemos a importância dos ritos de iniciação realizados por diferentes coletivos no processo educativo dos sujeitos mais jovens como expressão da organização do processo de formação humana para a convivência naquelas sociedades que tinham, como tal, características próprias

Em Enguita (1989), podemos buscar a tese de que a escola, tal como a conhecemos hoje, é uma instituição social nova, moderna. E como instituição é a principal responsável pela formação dos jovens para sua integração ao mundo social adulto na modernidade.

Aries desenvolveu também a tese de que a escola é uma instituição da sociedade moderna, assim como a sua correlata: a infância, tal como a entendemos hoje. De acordo com o “sentimento da infância”, que “corresponde à consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue essencialmente a criança do adulto, mesmo jovem” (1981, p. 156).

(... )

Até o século XVIII, a distinção entre população escolarizada e não escolarizada não correspondia às condições sociais, embora o núcleo principal da escola fosse constituído de indivíduos oriundos das famílias burguesas de juristas e ligados ao clero.

(... )

Os estudos da sociologia da educação apontam para a ideia de que a educação escolarizada nestas sociedades tem, em geral, algumas funções. Pode ter o objetivo “redentor” de salvar a sociedade da situação em que se encontra, como pode ter como
objetivo “reproduzir” a sociedade na sua forma de organização, ou ainda, mediar a busca de entendimento da vida e da sociedade, contribuindo assim para “transformá-la” (LUCKESI, 1990).

(... )

A educação, em particular a escolarizada, como instituição social principal responsável pela formação dos sujeitos sociais na modernidade tem assumido, segundo as análises sociológicas dedicadas ao seu estudo, a função de reproduzir a desigualdade social que caracteriza esta sociedade. Isso significa dizer que a educação, como instituição social organicamente ligada a esta sociedade, contribui no que diz respeito à formação dos sujeitos sociais, para reproduzir a contradição de classes inerente à sociedade capitalista moderna.

A maior contribuição destes sociólogos da educação foi denunciar o papel legitimador da desigualdade social que assume a escola em nossa sociedade.  (... ) A escola, em sua tarefa de formar os sujeitos sociais, não é neutra, mas exerce um papel político nesta formação, no sentido de seu comprometimento – do ponto de vista da reprodução ideológica – na formação dos sujeitos

(... )

O ponto de partida da educação transformadora, que tem caráter fortemente crítico, é a constatação de que a escola não transforma diretamente a sociedade, mas instrumentaliza os sujeitos que, na prática social, realizam o movimento de transformação. Isto é, a escola tem a especificidade de, do ponto de vista da formação humana, garantir a apropriação de elementos da cultura que se transformem, na prática social, em instrumentos de luta no enfrentamento da desigualdade social. 

(... ) A escola pública é a maior expressão da escola com instituição social, aquela que tem sua origem na modernidade, exigência do modo de produção capitalista moderno industrial. No Brasil, podemos considerar como marco histórico do surgimento da escola pública o Manifesto dos Pioneiros Pela Educação Nova por seu conteúdo escolanovista.

A escola para todos - pública - defendida no Manifesto em contraponto à escola da Reforma Francisco Campos, era a escola única (significando igualdade de oportunidades), laica (livre de doutrinas), gratuita (sob a total responsabilidade do Estado), obrigatória (até 18 anos) e para ambos os sexos.

Saviani (2007) faz uma cuidadosa análise do Manifesto considerando-o heterogêneo e contraditório, pois expressa princípios elitistas e, ao mesmo tempo, princípios igualitaristas.

(... ) O principal conflito vivido entre Pioneiros e Católicos no processo de elaboração da LDBEN foi entre a escola pública e a escola privada. Centrada na figura de Anísio Teixeira, a defesa da escola pública, universal e gratuita foi fortemente atacada pelos católicos que, identificando-a com a proposta comunista de organização da educação, contrapunham a hierarquia da Família, Igreja e Estado na responsabilidade educacional. Em defesa da escola pública estavam três principais correntes do pensamento pedagógico brasileiro segundo Saviani (2007): liberal-idealista, liberal-pragmatista e socialista.

A Lei n° 4024/61 – LDBEN – definiu a construção do Plano Nacional de educação em 1962.

Os movimentos sociais populares do início dos anos sessenta trouxeram importantes discussões acerca da organização do ensino e dos processos educativos. As defesas da cultura popular e a da educação popular foram compreendidas como formas de garantir o processo de conscientização necessário para a organização igualitária da sociedade brasileira (... ) Um dos mais importantes representantes desse movimento de educação popular no início dos anos sessenta é Paulo Freire com a pedagogia libertadora. Tendo como referencia a escola nova e a teologia da libertação, principalmente no que diz respeito à ênfase da atividade sobre os conteúdos – na Pedagogia do Oprimido vemos a valorização da atividade para a conscientização política transformadora –, esses movimentos tiveram fim no golpe militar de 1964.

(...)O pano de fundo das reformas foi a teoria do capital humano com seus princípios da
racionalidade, eficiência e produtividade, isto é, o máximo de resultados com o mínimo de esforços na formação humana (investimento) que interessava ao regime político e ao modelo econômico.

(... )

A nova LDB, instrumento político da organização da educação no Brasil, traz a marca do neoprodutivismo (SAVIANI, 2007), ou seja, a renovação neoliberal da teoria do capital humano.

A educação escolarizada – a educação na escola –, tanto conceitualmente quanto na prática social, reflete o caráter contraditório que encontramos na sociedade capitalista moderna. (... )  implica na preparação dos sujeitos sociais para esse modo de produção que tem dimensão social, política, econômica e cultural, caracterizando o que a Sociologia identificou como um papel reprodutor das desigualdades sociais, por outro, a educação escolar pode ser considerada como um processo que oferece aos sujeitos em formação um dos mais fundamentais instrumentos para o enfrentamento dessas desigualdades(... ) Esse é o sentido público da escola pública: servir aos interesses públicos, aos interesses da maioria da população, embora essa seja uma tarefa contraditória.


(... ) Alguns dados indicam que, de 98% das crianças brasileiras em idade própria para o ensino fundamental, mais de 90% delas estão nas escolas públicas –, as escolhas neoliberais que no Brasil definem as políticas públicas de saúde, educação, moradia e transporte – além de outros “bens comuns” –, desde a ultima década do século XX, têm definido uma escola pública menos pública. Isso significa uma escola menos democrática, menos inclusiva, pois voltada principalmente para a certificação e o registro estatístico do sucesso quantitativo, em detrimento da socialização do saber sistematizado  (...) O processo de privatização do ensino, que afirma sua dualidade, é tão sutil quanto eficiente e se expressa pelos mais diferentes indicadores: baixa qualidade; baixa valorização social da escola; baixos salários dos professores; políticas ineficientes de formação inicial e permanente dos professores; burocratização do processo de planejamento pedagógico com tendências a transformar os professores em meros reprodutores de conteúdos estabelecidos pelos técnicos burocratas do ensino etc.


(... ) o investimento de recursos públicos na educação, cujos “gestores” insistem em se desobrigar do cuidado com a qualidade ao assumir como política pública o ingresso e a permanência das crianças na escola de ensino fundamental (na medida em que o ensino médio no Brasil ainda é quantitativamente insuficiente para atender os jovens e adultos), significa, na prática, uma perda irreparável de dinheiro e uma oportunidade social mal aproveitada no sentido da formação dos sujeitos.

As políticas públicas da educação, (...) que o Governo Lula deu continuidade, têm sido, portanto, marcadas pela flexibilização dos direitos e da responsabilidade do poder público com sua garantia, sofrendo uma tendência privatizante. Flexibilização significa, neste texto, uma tendência a minimizar direitos e responsabilidades. Se no início da organização do sistema nacional de ensino no Brasil, o grande embate era entre a escola pública e a privada no que diz respeito à responsabilidade da Igreja e do Estado, a análise do funcionamento do sistema nacional de ensino, hoje, está centrada na qualidade da escola pública e da privada, e na responsabilidade da sociedade em sua garantia.

(... ) A escola pública é uma conquista que tem suas origens na Revolução Francesa, isto é, na democratização da sociedade aristocrática e na origem da modernização das sociedades como capitalistas e industriais (... ) No entanto, sua origem histórica não a exime de problemas também historicamente incorporados, problemas a serem resolvidos e questões teóricas e práticas a serem exploradas. Uma das críticas que esta escola enfrenta, concerne à atualidade de seus conteúdos( ... ) a escola prepara os sujeitos para atuar de forma a se adaptar às exigências desta doutrina de organização da sociedade e contribuir para seu aprimoramento, permitindo, principalmente, que o aluno tenha competência em diversas tecnologias.

(... ) Portanto, trata-se da necessidade da escola pública de assumir sua tarefa, histórica e política, de equalização da sociedade, de superação da desigualdade social, de realização de seu caráter público no sentido amplo e complexo de instituição pública de educação.



Ortografias

Se não (separados)

Devemos substituir por caso não ou, então, por ou

Exemplo:

Se não vierem todos, como será? (se não = caso não venham)
Todo artigo antecede ao substantivo SE NÃO, vejamos: a Xerox, o guaraná, o menino, a menina.
(se não = caso não seja assim)
Pedro é pobre, se não paupérrimo . (se não = ou)
O pai deu um milhão a cada filho, se não mais.(se não = ou)

Atenção: Verificando os dois últimos exemplos há, em verdade, que o verbo da oração está subentendido. Podemos, ainda, afirmar que nesse caso se não = a caso não.

SENÃO (unidos)

Senão significa do contrário

Exemplo

Espero que chova, senão estamos perdidos.
Não grite, senão você apanha.
Senão significa mas sim

Exemplo:

Não fiz isso com a intenção de magoá-lo, senão de adverti-lo.
Senão Significa a não ser
Você nada faz senão reclamar.
Maria não diz duas palavras senão cometa dois erros,
(senão significa sem que)
Josefa jamais amou outra pessoa, senão a mim. (senão significa exceto)



 Há/a

Há Indica sempre tempo passado · Há tempo não ouço Roberto Carlos. · Esta carta foi enviada há 30 dias. A Em situações que indicam futuro, distância ou espaço temporal. · Daqui a pouco ele chegará. · Foi atingido a trinta metros do local do acidente. · O candidato chegou a 2 minutos do encerramento do prazo.




A fim de/afim/afim de

A fim de equivalente a para. · Chegou cedo, a fim de fazer o trabalho. (com o objetivo de fazer o trabalho) Afim corresponde a semelhante ou parente por afinidade · Os dois têm pensamentos afins. (=semelhantes, que têm afinidades) · O sogro é afim da nora. (isto é, tem parentesco sem laço sanguíneo) · Pelo amor de Deus, não confundir com um uso coloquial do a fim de com o sentido de estar interessado. Este uso torna-se a cada dia mais comum. · Ele está a fim de você.

Mas/mais
Mas É conjunção adversativa, com o sentido de idéia contrária. Dessa forma, pode ser substituída, na frase, por porém, todavia. · Chegou cedo, mas não conseguiu ser atendido. (Chegou cedo, porém...) A vírgula deve ser usada antes de mas. FUNDO DO BAÚ · Sobre mas/mais Mas provém do latim magis, da mesma forma que mais. No português arcaico, encontramos mes. “A suidade non descende de cada ua destas partes, mes é u sentido do coraçom...” (D. Duarte, “O Leal Conselheiro”)

A par ou ao par?

A expressão ao par significa sem ágio no câmbio. Portanto, se quisermos utilizar esse tipo de expressão, significando ciente, deveremos escrever a par.
Fiquei a par dos fatos. / A moça não está a par do assunto.

A cerca de, acerca de ou há cerca de?
A cerca de significa a uma distância. (Teresópolis fica a cerca de uma hora de carro do Rio.)
Acerca de - significa sobre. (Conversamos acerca de política.)
Há cerca de - significa que faz ou existe(m) aproximadamente. (Mudei-me para este apartamento há cerca de oito anos. / Há cerca de doze mil candidatos, concorrendo às vagas.)

Ao encontro de ou de encontro a?

Ao encontro de - quer dizer favorável a, para junto de. (Vamos ao encontro dos nossos amigos. / Isso vem ao encontro dos anseios da turma.)
De encontro a - quer dizer contra. (Um automóvel foi de encontro a outro. / Este ato desagradou aos funcionários, porque veio de encontro às suas aspirações.)
Há ou a?

Quando nos referimos a um determinado espaço de tempo, podemos escrever há ou a, nas seguintes situações:
Há - quando o espaço de tempo já tiver decorrido. (Ela saiu há dez minutos.)
A - quando o espaço de tempo ainda não transcorreu. (Ela voltará daqui a dez minutos.)

Haver ou ter?

Embora usado largamente na fala diária, a gramática não aceita a substituição do verbo haver pelo ter. Deve-se dizer, portanto, não havia mais leite na padaria.

Se não ou senão?
Emprega-se o primeiro, quando o se pode ser substituído por caso ou na hipótese de que.
Se não chover, viajarei amanhã (= caso não chova - ou na hipótese de que não chova, viajarei amanhã).
Se não se tratar dessa alternativa, a expressão sempre se escreverá com uma só palavra: senão.
Vá de uma vez, senão você vai se atrasar. (senão = caso contrário).
Nada mais havia a fazer senão conformar-se com a situação (senão = a não ser).
"As pedras achadas pelo bandeirante não eram esmeraldas, senão turmalinas, puras turmalinas" (senão = mas).
Não havia um senão naquele rapaz. (senão = defeito).

Haja vista ou haja visto?
Apenas a primeira opção é correta, porque a palavra "vista", nessa expressão, é invariável.
Haja vista o trágico acontecimento... (hajam vista os acontecimentos...)


Em vez de ou ao invés de?
A expressão em vez de significa em lugar de. (Hoje, Pedro foi em vez de Paulo. / Em vez de você, vou eu para Petrópolis.)
A expressão ao invés de significa ao contrário de. (Ao invés de proteger, resolveu não assumir. / Ao invés de melhorar, sua atitude piorou a situação).

Resumo do livro Pesquisa: princípio científico e educativo de Pedro Demo

Se tornar um pesquisador, não é algo simples, sendo essa uma atividade reservada a poucos, isso ocorre porque tornar-se um pesquisador exige do universitário um boa, ou melhor, uma excelente trajetória acadêmica, ter domínio de sofisticações técnicas, sobre tudo de manejo estatístico e informático.
Por tanto para se tornar um pesquisador, deve-se estudar metodologia, em particular técnicas de pesquisa, que permite ter controle sobre como gerar, armazenar e utilizar dados. Um pesquisador universitário, faz parte da nata acadêmica, ou seja, tem privilégios que outros alunos não têm, como exclusivar recursos para evitar aulas e alunos, e dispor do maior tempo possível para a sua pesquisa.
Ao contrario dos pesquisadores, os educadores não têm o domínio no manuseio de dados, até pela formação diferente que recebem, mesmo assim acreditam que a dialética possa compensar tal deficiência, o que não é verdade. Por esse motivo é comum se encontrar professores que apenas ensinam, principalmente os professores do 1ª e 2ª graus, que estudam, acumulam conhecimento e depois repassam aos seus alunos em um processo repetitivo, que com o passar do tempo vai se tornando cada vez mais ultrapassado, uma vez que, o professor não usa técnicas de pesquisa para se atualizar.
A maioria dos professores que não praticam a pesquisa,não o fazem por acreditar que essa seja uma atividade que não lhes compete, por pensarem que a opção que fizeram (lecionar) seja algo destinto da pesquisa, e que a pesquisa seja de prática exclusiva dos pesquisadores. Por outro lado o pesquisador considera a prática de ensino como sendo uma atividade “menor”, ele é o responsável por descobrir, pensar e sistematizar, para ele cabe a outra pessoa o papel de transmitir os ensinamentos.
Pesquisar somente para saber, ou seja, sem o objetivo de divulgação, não é interessante para a sociedade e reduz a atividade de pesquisa a um esforço de sistematizar idéias e de especulação dedutiva; seria como saber para cultivar a ignorância, uma vez que o conhecimento não chegaria a grande “massa” ou chegaria de maneira destorcida, como ocorre com algumas informações reproduzidas por alguns meios de comunicação, como a televisão, que usa técnicas de comunicação para cultivar o analfabetismo político.
Pesquisa é sempre, também, fenômeno político, por mais que se mascare de neutra, contudo a produção de conhecimento está nas mãos dos privilegiados, que retransmitem aos demais, apenas o que lhes interessam, contudo a pesquisa não se restringe apenas a política, atua em muitas outras áreas de interesse publico, como pesquisar a qualidade da educação em um determinado local ou pesquisar a renda mensal de uma população, dentre outras, cujo resultados podem ser mascarados de acordo com os interesses dos pesquisadores.
Por tanto é essencial ao professor fazer pesquisas, para manter-se atualizado, caso contrario jamais poderá ser considerado um professor de verdade, e um pesquisador tem que ensinar e não somente acumular conhecimento, privando outros do acesso a informação, caso contrario é considerado elitista explorador, privilegiado e acomodado.
O conhecimento que se adquira nas universidades é de nível superior, mas nem por isso pode ser considerado superior ao conhecimento que um analfabeto adquire no seu dia-a-dia, pois estamos tratando de conhecimento e devemos reconhecer que adquirir conhecimento faz parte de um processo diário, mais, também é importante ressaltar que o conhecimento gerado na universidade é muito mais culto que o conhecimento que obtém na vivencia diária.
Voltando a prática a prática educativa e a pesquisa; se educar é em primeiro lugar motivar o professor a praticar a pesquisa, para que ele possa transmitir aos seus alunos, para que surjam novos mestres e jamais discípulos; o professor deve pregar que “o melhor saber é aquele que sabe superar-se”, caso isso não aconteça (transmissão do entusiasmo pela pesquisa) o professor marca no discípulo uma atitude de objeto, tornando-o incapaz de ter idéias e projetos próprios, esse aluno jamais poderá superar a condição de discípulo.
No entanto começar uma vida de pesquisador nem sempre significa começar a elaborar planos, criar fórmulas, um pesquisador deve começar por um nível de pesquisa mais baixo que corresponde a estudar pesquisas de outros e tentar elabora-las um pouco mais, com um tempo vem a maturidade e a experiência para engajar-se em projetos mais ousados.
A pesquisa pode ser realizada de diferentes modos, podendo assim assumir múltiplos horizontes. A pesquisa pode ser compreendida como capacidade de elaboração própria, contudo a acumulação de pesquisa passa quase todo que exclusivamente pela montagem de conhecimento empírico, sendo que esse conhecimento passa pelo conceito que não seria realista prender a realidade a um único parâmetro de pesquisa. A ciência vive do desafio que não morre jamais e de descobrir a realidade.
À pesquisa também cabe de desfazer a aparência visível e observável; para surpreender a verdade por trás disso o pesquisador nunca desiste de questionar a realidade, sabendo que qualquer conhecimento é apenas recorte, ou seja, parte de um todo. Depois de obtidos os dados de uma pesquisa, ainda se deve ter cuidado com a interpretação, pois dependendo do quadro teórico de referências, o mesmo dado pode levar a diferentes conclusões.
Por tudo isso a importância da teoria se evidência, uma vez que, ela é considerado como a retaguarda criativa do interprete inspirado, pois o bom teórico é sempre aquele que sabe produzir boas perguntas, usando a teoria como instrumentação criativa.
Na pesquisa metodológica, predomina a expectativa de que método se aprende, não se cria. Contudo todo bom cientista deve preocupar-se com o método, pois é sinal de competência, sendo impossível criar análises inspiradas sem discutir como fazer. Método é instrumento, caminho e procedimento, sendo ela uma das matérias mais estratégicas na formação acadêmica, sobre tudo na direçã da motivação a pesquisa. Entre tanto nada favorece mais o surgimento do discípulo copiador que a ignorância metodológica, sendo a metodologia responsável por dizer quem é ou não um cientista.
Pesquisa metodológica não se restringe a decorar estatísticas com seus testes áridos, mas alcançar a capacidade de discutir criativamente caminhos alternativos para a ciência e mate mesmo de criá-los. O mais interessante é o questionamento criativo, consistente e processual da própria ciência.
Outro horizonte da pesquisa é a pratica, no entanto, tem-se que explicar, antes de qualquer coisa, a relação entre teoria e prática, ambas detêm a mesma relevância científica, uma não substitui a outra e cada qual tem sua lógica própria. Não se pode realizar pratica educativa sem retorno constante a teoria, bem como não se pode admitir teoria sem confronto com a pratica, no entanto é a pratica quem escancara toda a pequenez de toda a construção teórica, porem todo conhecimento advindo da prática necessita de elaboração teórica.
A pesquisa pratica possui ainda a vantagem de puxar para o cotidiano a ciência, mas não significa apenas a noção de aplicabilidade concreta,porque seria ironia um teoria não aplicável. E por tudo isso, somente o que foi discutido, na teoria e na prática, pode ser aceito como ciência.
A ciência não pode criar fenômenos naturais, apenas desvenda-los, quando se desvenda por meio de pesquisa algo, pode-se dizer que crio-se um novo conhecimento e não realidade nova, embora a partir daí se possa inventar usos novos do conhecimento, a ciência neste ponto de vista tem como proposta, no quadro da neutralidade metodológica, descobrir estruturas da realidade. Por outro lado temos a ciência como criação que consiste, justamente em elaborar novas informações a partir da análise dos fenômenos naturais, históricos, culturais e outros.
Pesquisar é condição essencial do descobrir e do criar, a pesquisa analítica descobre e, nisso cria conhecimento novo, mas muitas vezes não se cria pela pesquisa, condições de mudança principalmente com relação as questões ideológicas, nestes casos se apela a neutralidade científica para se fugir da responsabilidade. O que está errado pois é o processo de pesquisa que na descoberta, questiona o saber vigente, acerta relações novas no dado e estabelece conhecimento novo e é a pesquisa que, na criação, questionando a situação vigente sugere, pede, força o surgimento de alternativas.
Outra definição de pesquisa pode ser: dialogo inteligente com a realidade, pois é apropriado fazer uma aproximação entre pesquisa e dialogo. Pois dialogo é fala contraria entre autores que se encontram, ou seja, é bom receber criticamente o ponto de vista de outros, pois somente que é criativo tem o que propor e o que contrapor. Contudo devemos ter muito cuidado com a comunicação, pois ela pode ao mesmo tempo, gerar e abafar a critica, favorecer e suprimir o questionamento, motivar e desestimular o encontro, sendo esses aspectos negativos se presenciem justamente quando o dialogo ocorre entre classes diferentes.
É necessária a comunicação e a sua socialização do saber faz parte integrante da sua produção na perspectiva de que, informação só é conhecimento quando é transmitida, portanto quem pesquisa tem o que comunicar, e quem não pesquisa apenas reproduz ou apenas escuta.
A desatualização das universidades, as coloca em estado de decomposição, uma vez que gera entre os universitários um distanciamento elitista com o restante da sociedade e ao mesmo tempo um atraso didático; perdeu-se a noção essencial de mérito acadêmico em da burocratização funcional, sendo muito comum encontrar-se universidades pouco produtivas e pouco criativas. Mudar não é tarefa fácil mais tem-se que acreditar que a universidade está apodrecendo para ressurgir, sendo, neste caso, a pesquisa fundamental para recolocar nas instituições acadêmicas respeito perante a sociedade.
Sem ressaltar a pesquisa como principio educativo caímos na questão estereotipada do mero ensina e do mero aprender. Do lado do professor temos a visão empobrecida do ministrador de aulas, fruto do mero aprender e, naturalmente seus alunos decaem no mero ensinar, essa situação é muitas vezes causada pela própria irresponsabilidade do professor, que muitas vezes da aulas de assuntos que estão fora de sua competência, contudo esse fato recai na luta pela sobrevivência dos professores, que na busca pelo sucesso financeiro, não pensa na qualidade de suas aulas. Por isso se tem muitas vezes a visão de que professor é aquela figura que tem graduação e é contratado para dar aulas e só.
Contudo se pode imaginar, ou melhor, detalhar as características daquilo que viria a ser um bom professor. Um bom professor em primeiro lugar deve ser pesquisador, socializador e motivador de novos pesquisadores, caso contrario não se sai da imitação, da cópia, da simples reprodução e que vai imprimir a mesma atitude repetitiva nos alunos, esta postura permite afirmar que somente tem algo a ensinar quem pesquisa. Portanto é atitude própria exigir do professor capaciadade própria de elaboração, no plano da pratica, capacidade de recriar e de unir “saber e mudar”, além, é claro de exigir-lhe atualização constante.
“Se a pesquisa é a razão do ensino, vale também o reverso: o ensino é a razão da pesquisa”, esta frase resume bem a interação entre ensino e pesquisa e mostra também a importância de se ensinar, desde cedo, ao aluno a importância da pesquisa como método de aprendizagem. O aluno que é muitas vezes resumido no discípulo que ingere pacotes instrutivos. Entretanto os professores se negam a fazer isso por considerarem os alunos incapazes de produzir pesquisa; mais é o próprio professor que por não ser pesquisador, não consegue passar uma característica que não possui. O que está errado, pois acaba por reduzir a cabeça do aluno a pequenez da cabeça de um instrutor, no fim das contas um aluno não pode apenas escutar, tem que produzir.
Recaindo na questão da teoria e pratica, uma das coisas mais ridículas que pode existir na pratica educativa é teoria sem pratica, ou substituição da pratica pela teoria, como ocorre por exemplo no campo das ciências sociais. Pratica não aparece apenas como demonstração técnica do domínio conceitual, mais como modo de vida em sociedade a partir do cientista, por outro lado abandonar a teoria por supor ingenuamente que prática não passa pela teoria é reduzir o ensino a técnicas utilitárias imediatistas.
Para se ter ensino de qualidade nas universidades deve-se igualar a carga horária teórica a carga horária de prática, e para isso se deve organizar curricularmente a prática, para que o cientista formado não veja dicotomia ou distanciamento entre saber e o mudar, acreditando que não se estuda só para saber, estuda-se também para atuar, por isso a prática não pode jamais ser suprimida. Todo educador deve saber discutir ciência e seus caminhos de construção, para atingir a condição de elaborador de ciência e para amadurecer posições via elaboração própria.
Cresce cada vez mais o uso da especialização como prática, onde a prática passa a ser preocupação maior, aproximada sempre da capacidade de enfrentar problemas concretos e de apresentar soluções criativas. Contudo é com o uso de boas teorias que se pode mudar as praticas e vice-versa, sempre no contexto da pesquisa curricular, no confronto pertinente da teoria com a prática, além do natural aprofundamento de conceitos e dados, fomenta e pluralismo cientifico, que embasada na inteligência criativa é capaz de aprender dos outros, atravez do dialogo, mudar de posição sem leviandade e conviver na dialética dos contrários. Pesquisa utilizando método, dialogo e prática faz com que a aula vá perdendo a importância a medida que vai surgindo o cientista autônomo. Assim o professor passa a ser orientador (aquela que indica o caminho da biblioteca) e o aluno teria a capacidade de escolha e produção própria de temas.
Para que o professor possa ter qualidade no que diz respeito a pesquisa, antes de ser professor ele pode ser monitor, assistente, docente, leitor, enfim deve antes de mais nada está em contato com a prática de pesquisa, isso permite que depois ele posso começar sua própria produção. Está sempre em contato com o mundo da pesquisa é de muita importância, uma vez que há sistemas em que sequer o doutorado é suficiente para dar aulas, quando este se dá de maneira equivoca com relação ao espaço cientifico que um doutor deve ocupar.
Para ser um pesquisador deve-se antes de mais nada saber dar conta de um tema e isso significa dominar o primeiro estágio da produção cientifica; o primeiro passo que deve ser seguido é a prender a aprender que significa aprender a ter idéias próprias, abandonando o péssimo abita de copiar e imitar, e para se ter boas idéias é indispensável leitura farta para absorver o conhecimento de outros cientistas para depois criar um próprio conceito. Contudo a postura demérita do mero ensinar e do mero aprender é mais cômoda para os professores, que por não possuírem uma postura de cientista acabam se refugiando no mero ensinar, resumido a pesquisa a trabalhos escolares onde ele se encarrega de impor o tema e estabelece quais serão os resultados que ele quer que seja apresentado.
Assim o estudante conclui o curso sem saber dá conta de um tema, não conseguindo escrever com clareza e sistematização, não ordena, manuseia, constrói e interpreta dados, o que revela que continua sendo apenas um aluno. Os professores devem passar trabalhos em que o próprio aluno escolha o tema em que vai trabalhar, dando liberdade de leitura para que o aluno aprenda a descobrir o que lê, e assim formar sua própria opinião, ainda com relação aos trabalhos, vem a questão dos trabalhos em grupos, esse tipo de trabalho só é recomendado quando o grupo tem projeto comum, trabalha junto a tempo e encontrou forma de redação conjunta.
Depois de repassar todo o conteúdo, vem a seguinte pergunta ao professor: como avaliar? Pois a avaliação pode não respeitar o ritmo de cada um, partindo para comparação externa e de cima para baixo. A promoção automática que a avaliação propicia muitas vezes desprepara para a vida, uma vez que nem todos os alunos foram corretamente avaliados.
Por isso é da competência do professor propor currículo adequado que sempre estará sob o crivo crítico do aluno. Ai cabe colocar a importância da avaliação, pois esse tipo de avaliação incentiva o aluno a produzir, sob esse ponto de vista, avaliar é indispensável, como fator de criatividade sempre renovada, por isso temos que nos livrar das atuais características de avaliação, pois quantidade não garante qualidade. Primeiro se deve desbancar a prova, que tem seu lugar apenas como expediente esporádico e como acomodação limitativa, levando o aluno a apenas estudar para a prova, limitando ou destruindo o desafio de pesquisa e criatividade.
Em vez da prova, a forma mais conveniente de avaliar é incentivar a produção cientifica em ambiente próprio, com liberdade acadêmica, na qual o estudante possa encarar o desafio de crescer por si. Neste sentido o professor terá que ler mais material produtivo pelos alunos, esta disponível para consulta e discussão, para eliminação de duvidas que possam vir aos alunos no processo da pesquisa própria. Isso significa mais esforço e dedicação, mas faz parte da função de motiva novos mestres.
No ambiente lúdico da criança é possível visualizar atitude de pesquisa e fomenta-la via processo educativo, como postura de questionamento criativo, desafio de inventar soluções próprias, descoberta e criação de relacionamentos alternativos, sobretudo motivação emancipatória. Deste modo desde cedo se propicia a passagem de objeto a sujeito, que assuma um papel importante na sociedade como cidadão.
Pode-se também motivar o processo emancipatório radical, a partir do qual se elabora nova personalidade, novo sujeito social, nova cidadania de base. O pré-escolar se destina a isso, se compreendermos como lugar estratégico da conquista da autodeterminação, através de cuidados assistenciais, da estimulação psicossocial, do jogo e da educação como tal. Contudo muitos professores de educação básica não sabem pesquisar ou elaborar com a própria mão, muito menos dar conata de um tema, esse tipo de professor que dispõe de acanhada qualidade formal, logo decai na desatualização.
Deste modo, a visão que se pode ter se uma sala de aula é a seguinte: na frente está quem ensina de qualidade incontestável, imune a qualquer avaliação; na platéia estão os alunos, cuja função é ouvir, copiar e reproduzir. Contudo vale afirmar que o problema principal da escola não é o aluno, por ser pobre, inculto, mas o professor, que ainda é apenas aluno; e que vê nas crianças um monte de meros alunos. Para mudar essa realidade o professor deve passar de instrutor a mestre, mais para tanto, é essencial recuperar a atitude de pesquisa, assumindo-a como conduta estrutural, a começar que pelo reconhecimento de que sem ela não há como ser professor em pleno sentido, já sendo pesquisador o professor deve smpre que possível apresentar aos alunos suas sínteses pessoais.
Continuando a falar sobre o professor, admite-se que ele deveria ser o próprio livro didático, no sentido de ser orientador de novos mestres. Pois com isso conseguiria mudar o ambiente de aula, pois os alunos passariam a conviver com um bom exemplo de professor, em termos de qualidade formal e política. O professor de verdade, motiva o aluno a dominar a escrita e a leitura como instrumentação formal e política do processo de formação do sujeito social emancipado. Sob o ponto de vista da sociedade, pior que o analfabeto literal é a analfabeto político, e acredita-se que está na “letra” a arma política de maior força.
A realidade das escolas que possuem professores despreparados para ensinar, uma vez que desconhecem os “caminhos” oferecidos pela pesquisa, acabam coagindo o aluno, que acaba respondendo de maneira negativa: com a cola. Sob o ponto de vista que o instrutor imbecil merece a cola inteligente, se pode notar que a fuga do aluno com a cola pode ser sinônima de capacidade de pesquisa, já que, para pesquisar é essencial se ter alternativas criativas, e o ato da cola em si, já representa uma saída criativa. Contudo colar não, é do ponto de vista pedagógico correto, pois acaba acostumando o aluno ao comodismo. Neste caso a escola precisa perguntar-se pela influencia educativa que exerce no aluno, caso pretenda ultrapassar o espaço informativo, para atingir o conteúdo formativo.
Percebe-se que a influência da escola sobre o aluno é cada vez mais formal e, neste sentido, vazia, pela artificialidade de sua organização distanciada da sociedade diária ou pela concorrência avassaladora com os meios de comunicação. Sintetiza-se, assim: a miséria da escola é o retrato da miséria de cidadania. Para mudar esse quadro é de fundamental importância que as escolas assuma posição mais visível e decisiva na sociedade, na linha de pesquisa.
Voltando a debater a prática de pesquisa veiculada a educação, é de importância rediscutir que a prática não se restringe a aplicação da teoria, por mais que seja essencial. A prática pode ser exposta sobre vários pontos de vista, um deles é a prática da cidadania, em cujo plano deve aparecer a instrumentação cientifica na função de embasamento da profissão como forma de atuação social, uma vez que, uma das expectativas mais significativas que a sociedade deposta na universidade é a formação de elite intelectual duplamente capaz: como profissional científico e como cidadão de vanguarda, a sociedade espera que essa elite acadêmica consiga propor bases científicas para transformações sociais alternativas. A prática neste sentido deve estar relacionada com o desdobramento da cidadania.
Na grade curricular acadêmica, a prática deve aparecer de modo gradativo, passo a passo, como qualquer disciplina, tendo como meta a formação teórico-prática, ao longo de aproximadamente oito semestres, contudo a prática é limitante, pois não consegue executar toda a riqueza da teoria, contudo, não há história real sem prática. A prática traz a oportunidade histórica de construirmos, até onde possível, a nossa própria história. Discutir a prática remete à capacidade histórica de ocupação de espaço próprio, no contexto emancipatório; inclui a sua manifestação individual, mas se completa principalmente na organização associativa, para ser competente. Por fim é fundamental que exista, como integralização curricular, o trabalho de conclusão de curso, na qual se pode demonstrar domínio teórico-metodológico, bem como condição de realização prática e empírica.
O trajeto curricular de oito semestres, em uma universidade que tem a pesquisa como plano de formação de seus alunos, começa por um ano dedicado a fundamentação teórica e metodológica, como instrumentação imediata da elaboração própria, a forma de avaliação típica é o trabalho de pesquisa para cada disciplina ao final do semestre, a prática recebe o nome de intermediária, definida como atividade sistemática eficaz, embora limitada no tempo (os espaços de tempo entre as pesquisas pode ser ocupado pela extensão), a extensão pode entrar ai de modo adequado, desde que intrínseca. No quarto ano, a prática será maior, descrita como prática profissional, terá carga teórica menor, concluindo o 8º semestres com um trabalho de conclusão de curso.
É preciso motivar o aluno a se tornar competente em termos de domínio de instrumentação científica, despertar a habilidade pessoal de formar em si a atitude de pesquisa, neste sentido de realização do currículo é sempre questão vital a relação aluno/professor, assim seria mais coerente no contexto de liberdade do aluno, um professor que tenha autoridade mais que não seja autoritária. O argumento de autoridade, todavia, torna-se tolerável quando ocupa espaço de autoridade do argumento, significando a respeitabilidade de um cientista obtida a peso de seu mérito acadêmico. Seguindo esse caminho, ver-se-ia que o aluno passaria a administrar seu tempo, uma vez que emerge liberdade acadêmica na escolha de temas, na organização da orientação e da prática, na elaboração própria.
O livro escrito por Pedro Demo é muito interessante, uma vez que não só aponta os problemas de uma sala de aula, em todos os níveis de educação, mais principalmente nas salas das universidades, como aponta algumas soluções para tais problemas.
Pedro Demo tenta desmistificar o conceito de pesquisa, e para tanto mostra que a pesquisa deve ser instrumento de trabalho de qualquer pessoa que se diga professor. A imagem do professor que não pesquisa é bastante pisada, mostrando ao longo de todo o livro que este não serve para esta função, outro peculiaridade do livro é que mostra sempre que possível a relação entre teoria e prática, mostrando que prática e teoria não podem em hipótese alguma se separar.
O livro mostra também que as universidades não devem pensar em formar apenas professores que ainda possuam em seu interior a condição de aluno, mais sim pensar em formar cidadões emancipados, que cientes de sua importância na sociedade, possam exercer mudanças que beneficiem a todos.
Assim como o professor, o aluno também tem sua figura caricaturada por Demo. Para Pedro Demo o aluno deve sair da condição de mero ouvinte, copiador, para ser um ser livre no que diz respeito a escolha de temas para elaboração própria, e para tanto mais uma vez é essencial a figura de um professor competente que incentive seus alunos, retrata sempre que a formação de um mal aluno é sempre culpa de um mal professor.
O livro tem muitas repetições o que acaba tornando a leitura tediosa, volta e maia, parecia que estava lendo o mesmo parágrafo, contudo a repetição de idéias pode ser encarada como ato inteligente enfatização, por muitas vezes lê-se: “professor-pesquisa”, “teoria-prática.

Trabalhando trânsito

Placas de regulamentação

As placas de regulamentação indicam as obrigações, proibições e limitações que determinam o uso das vias. Sua violação constitui infração do Código de Trânsito Brasileiro.
Elas são circulares, têm o fundo branco, borda em vermelho, com ou sem uma tarja vermelha, exceto a placa de "Parada Obrigatória", que é octagonal e possui fundo vermelho e a placa de "Dê a Preferência", que é triangular.
As placas de regulamentação são usadas em grande escala nas vias urbanas, mas também são colocadas nas estradas. Exemplos:






Placas de Advertência

As placas de advertência indicam aos condutores os perigos que não lhes sejam perceptíveis. Suas mensagens têm caráter de recomendação.
São de forma quadrada, nas cores amarela e preta e sua colocação é tal que suas diagonais ficam nas posições vertical e horizontal.
Podemos agrupá-las da seguinte forma:
- placas referentes à curvas; - placas referentes a cruzamentos; - placas referentes ao perfil; - placas referentes a estreitamento de pista; - placas referentes ao sentido; - placas referentes a ferrovias; - placas referentes a perigo. Exemplos:




Placas de indicação
As placas de indicação têm caráter de orientação ao motorista e podem ser de 4 (quatro) tipos:
- Orientação e Destino;
- Serviços Auxiliares;
- Educativas;
- Atrativos Turísticos.

Desafios nas redes sociais

A aprendizagem em espaços virtuais, como por exemplo, as redes sociais constitui um enorme desafio para a sociedade digital, na medida em q...